30 de março de 2020
Pele compele, o calor daquele corpo tão pequeno grudado ao seu. Contato olho no olho da maneira mais intensa e carinhosa. Movimentos de respiração em harmonia. A boca que procura você instintivamente, seguindo seu cheiro. Quando encontra, dá para perceber o sentimento de alívio e satisfação do ser aninhado no seu colo. Assim é a amamentação – ou algo assim, já que é impossível descrever em palavras o prazer desse momento.
A ciência reforça a importância da amamentação na construção desse vínculo. Mães que amamentam apresentam níveis mais elevados de ocitocina, o hormônio do amor, justamente o que promove a descida do leite. Diante dessa conexão tão forte, estabelecida quando se dá de mamar, muitos homens sentem que não há espaço para eles nesse processo. Mas a verdade é que eles são peças fundamentais. Afinal, embora seja tão prazeroso, amamentar nem sempre é um mar de rosas. E é aí que também entra a figura do pai. Sua presença e apoio fazem toda a diferença para a mulher nesse momento. Pegar o bebê no berço e trazer até o colo da mãe, buscar água para a sede infinita que ela vai sentir, informar-se para ajudar nos percalços que poderão surgir, cuidar das tarefas da casa e intermediar as visitas para que a mulher possa amamentar em um ambiente tranquilo são atitudes que favorecem bastante a amamentação.
Se o homem está consciente da importância do aleitamento e das dificuldades que ele pode trazer, estará preparado para dar todo o suporte que a mulher precisa. A seguir, selecionamos algumas dicas para ajudar pais e mães a contornar os obstáculos e permitir que a amamentação seja o que deveria ser sempre: um momento único de amor e paz.
1: Prepare-se para a hora de amamentar. Escolha um local arejado, calmo, sem muitas interrupções. Esteja relaxada e conectada com aquele momento – se você pega o bebê para mamar estressada ou compressa, ele sente a tensão e o aleitamento pode não ser bem-sucedido.
2: Tente observar a necessidade do seu filho e faça intervalos de maneira que ele não esteja morto de fome na hora de alimentá-lo, pois o bebê tende a estar mais estressado e pode não mamar corretamente. Se você costuma acordá-lo e trocar a fralda antes de amamentar, mas ele sempre chora, experimente oferecer o peito primeiro e só trocá-lo depois, por exemplo.
3: Praticamente 100% do sucesso da amamentação está relacionado à pega correta. Isso significa que o bebê deve ter o corpo voltado ao da mãe, barriga com barriga, a cabeça em posição mais elevada que o bumbum, na altura do seio da mãe, lábios bem para fora, como queixo próximo da mama, bochechas bem redondas, abocanhando o máximo da aréola que ele
conseguir, nunca só o bico.
4: Se você ouvir qualquer barulho na boca do bebê durante a mamada, é porque algo está errado. Estalos na língua ou som semelhante a um beijo não devem fazer parte desse momento, apenas ruídos da sucção e deglutição. Caso escute qualquer coisa além disso, tire o bebê do seio e recomece. Se persistir, vale tentar mudar a posição.
5: A dor é mais um sinal de pega incorreta. Atenção: amamentar não deve doer. Mude de posição e lembre-se de sempre trazer o bebê até o seio, nunca o contrário.
6: Mamilo rachado ou machucado também significa que o bebê não está mamando do jeito certo. Nesse caso, geralmente o bebê posiciona a língua no mamilo, comprimindo-o contra o palato – o que dá ao mamilo um aspecto achatado. O leite não sai adequadamente e, além de aparecerem lesões, na maioria das vezes a criança não ganha peso. Mais uma vez, a indicação é tentar novas posições. E não há necessidade de interromper o aleitamento. Para ajudar na cicatrização, o melhor é passar o próprio leite materno nos mamilos, várias vezes ao dia. Também é interessante ficar o máximo de tempo possível sem sutiã ou protetores, para manter o local seco. Banhos de sol ou de luz podem ajudar (15 minutos por dia), bem como pomadas específicas. Se for usá-las, fique atenta ao sol. Como são feitas à base de óleo, podem manchar a pele. Uma dica caseira que costuma funcionar é usar chá de camomila frio nos seios, já que tem efeito calmante e cicatrizante.
7: Ainda falando de mamilos, não precisa entrar em desespero se os seus forem planos ou invertidos. Como já dissemos, a pega correta é coma boca do bebê em toda a aréola, e não no bico. A projeção do mamilo para fora costuma acontecer naturalmente como estímulo da lactação. Caso queira se prevenir, pode usar conchas preparatórias desde a gestação, mas isso deverá ser orientado por um especialista. Além de tentar posições diferentes,uma dica é estimular e ordenhar um pouco antes de oferecer o seio.
8: Nunca se esqueça da garrafa de água quando for dar de mamar – e ainda é bemprovável que você peça para o marido ou alguém buscar mais! Essa sede acontece porque o corpo precisa repor todo o líquido que perde durante a amamentação. Por isso, procure tomar pelo menos dois litros de líquido por dia, principalmente água ou água de coco.
9: Você oferece o peito regularmente, mas seu filho continua chorando? Pode ser sinal de pega incorreta– e, consequentemente, menor ingestão – ou de que há pouco leite. Beba mais água, alimente-se de forma saudável, descanse nos intervalos dasmamadas e, principalmente, coloque o bebê para mamar mais vezes. Isso é fundamental, pois a sucção faz liberar mais ocitocina, responsável por aumentar a produção de leite.
10: Por outro lado, se você está produzindo mais leite do que seu filho precisa, e se incomoda com o líquido vazando o tempo todo, pode usar as conchas próprias para amamentação. Sempre lembrando que a mama não deve ficar muito úmida e aquecida. Caso use protetores descartáveis, troque-os com frequência.
Fonte: Revista Crescer